A importância de aprender a língua do país de acolhimento

244 milhões de pessoas no mundo são migrantes internacionais. Significa que, se vivessem todos no mesmo sítio, este seria o 5º país mais populoso do mundo.

São muitos os desafios que os migrantes enfrentam, bem como os respetivos países de origem, de trânsito e de acolhimento.

Apesar das migrações serem um fenómeno presente, desde que há vida na terra, neste momento talvez seja um dos principais desafios da humanidade.

Cada vez mais temos assistido a migrações forçadas, por motivos económicos, ambientais, políticos ou religiosos. E cada vez mais temos ouvido discursos políticos tão contrários aos direitos humanos, reduzindo o fenómeno migratório apenas a uma questão de segurança.

Começar de novo numa terra onde não se conhece nada, nem ninguém, não é tarefa fácil. Por isso, é tão importante a aprendizagem da língua do país de acolhimento.

O conhecimento da língua é uma das ferramentas principais de integração. É com o conhecimento da língua que se conseguem dar passos autónomos de plena integração, como a procura de trabalho ou de casa. É também através do domínio da língua que a tarefa de acompanhar a educação dos filhos se torna mais fácil, bem como a construção de redes de vizinhança ou de amizade, determinantes para a sua integração social.
Mas para aprender a língua, é também necessário ter a disposição emocional, física e intelectual para poder conciliar as aulas com o trabalho que é urgente arranjar e com a família de quem se tem de cuidar, muitas vezes sem qualquer outro parente para ajudar.

Para conhecer a língua, é também importante conhecer a cultura do país onde se vive. E a melhor maneira de desenvolver toda a aprendizagem é, para além da frequência das aulas, a relação com os outros, a prática continuada de falar em português (caso seja o nosso País a escolha para viver). Todas as oportunidades que se criem de convívio entre portugueses e estrangeiros são importantes para os ajudar a criar laços, não só com a língua, mas com as outras pessoas.

O trabalho desenvolvido pela “Escolinha” S. Pedro Claver tem permitido essa relação pessoal entre alunos e professores e tem sido fundamental para que muitos migrantes e refugiados consigam a tão importante ferramenta que lhes permite comunicar com os outros. Tem sido um excelente contributo à sua plena integração em Portugal.

Bem-hajam pelo vosso trabalho!

Rosário Farmhouse
Coordenadora do Gabinete de Formação Humana do Colégio S. João de Brito