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Chegamos a Benguela de Lisboa

Chegámos. A curiosidade e o entusiasmo pautavam o ritmo do coração de cada um. Os olhos a percorrerem os traços que delimitam os que agora chamamos de nossos irmãos de comunidade.

“Então? Estás pronta para isto?” - perguntava-me a Rita.

Quase que me fugiu da boca um “quase…” mas assumi o papel que me foi escolhido por Deus, confiei e disse “Sim! Claro! Vamos a isto!”

Começámos da melhor maneira. Mergulhámos na terra de Benguela com a vida partilhada da Daniela, anciã histórica dos Leigos. Sempre que ouvíamos “ quando eu estive lá...” os nosso olhos esbugalhavam-se como se quanto mais aberto conseguissem ficar mais seria possível estar a ver tudo o que a Daniela nos dizia. O entusiasmo aumentou, as perguntas fizeram-nos companhia ao almoço na preparação do trabalho que nos esperava.

O PIM (Plano Individual de Projecto) apresentou-se em massa e em calhamaços grossos e pesados. O entusiasmo não arrefeceu mas de repente tomou-se consciência do trabalho que nos espera e que nos irá completar. A tarde foi de estudo, as pestanas queimaram-se com toda a história que iremos entregar nas mãos de todos aqueles que os Leigos para o Desenvolvimento serviram até agora.
Demos o nosso parecer e entender desta missão individual, um a um fomos dissecando com a ajuda da Luísa, nossa mestra, os projetos de todos e o papel que iremos vestir.

O GAIVA, o Grupo Comunitário do Bairro da Graça, o Espaço Criança e a Mudança da Mulher finalmente foram descortinados e conhecidos por todos. Serão nomes que irão encher as nossas bocas e, melhor, os nossos corações.

A sala acinzentada do CUPAV ia sendo arejada pela corrente que nos ia deixando respirar e assentar esta verdade. Os sofás e cadeiras já estavam marcadas pelo peso da responsabilidade que se tornava leve na confiança de que não vamos sozinhos e que teremos sempre quem nos guia.

Os serões eram tempos para só estar. Só ser. Só conhecer. Rindo, com um humor que se dá e que transparece parte de nós. As refeições tomavam conta dos medos, receios, dúvidas, expetativas, forças, fraquezas, vontades, esperanças que dominavam os nossos corações.

Ao final do dia, juntávamo-nos a Ele, em comunidade, em família a formar-se. E em partilha, unidos pelo mesmo centro e propósito, descansávamos do dia cheio e denso. Começamos a sintonizar uns com uns outros, contando histórias de fé e de dúvida e de esperança.

Percorrendo o plano que estava estipulado, o tempo foi sendo vivido com um entusiasmo crescente mas com os pés assentes na terra que iremos pisar. Muito foi mostrado e explicado mas com a verdade que muito ainda há para saber e aprender.
“Vocês vão se esquecer disto mas eventualmente vão lá chegar e vão entrar no ritmo das coisas” – dizia a Luísa com um sorriso de quem já o viveu e acompanhou quem vive.

A semana fechou-se com o cronograma que iremos percorrer e construir no ano que nos espera em Benguela. Muito trabalho. Muita aprendizagem a assimiliar. Muita vontade. Muita confiança.

Seja o que for, sendo ainda desconhecido em parte, será muito bom. Será muito cheio. Será e irá tornar-se o nosso “ser”.
E que bom que vai ser.

Comunidade Benguela na FEP

Teresa Cruz
Benguela, 2017-2018