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Um por todos, todos por um!

Se Alexandre Dumas ainda fosse vivo e se, por acaso, conhecesse a história da construção do novo Espaço Criança (EC), com certeza que lhe viria a cabeça a possibilidade de reinventar o seu romance “Os Três Mosqueteiros”. Neste caso os mosqueteiros não seriam Athos, Porthos e Aramis, mas sim a Teresa, o Clemente e o Vicente… Enquanto o D 'Artagnan, esse seria o Salu. E quem melhor para nos contar como está a ser vivida esta história, se não os próprios Mosqueteiros?!

Desde 2012 a ocupar os tempos livres das crianças
Entramos no Bairro da Graça e encontramos a Direção do EC reunida - está aberta a época dos Campos de Férias e há que formar os monitores. Assim como quem não quer a coisa, metemos conversa e tentamos saber um bocadinho mais sobre este Espaço. “O EC é uma ajuda oportuna desde 2012. A Comunidade vê o seu valor e, por isso, é que ainda está de pé e em desenvolvimento. As crianças estão a aprender e têm acesso a coisas que não têm na escola normal. Como a capoeira e o teatro.” - diz-nos o Sr. Vicente, Sub-Diretor Administrativo e Financeiro do EC. Ao que acrescenta a Mamã Teresa, Diretora do EC: “O EC veio ajudar na área escolar e dá um grande apoio aos Encarregados de Educação que não têm tempo de ficar com os seus filhos”.

Um novo espaço, muitas novas oportunidades
Desde o Verão passado que todos os esforços estão a ser direcionados para a construção do novo Espaço Criança. “Vai ser ótimo ter um espaço próprio. Por um lado traz mais responsabilidade, mas esta responsabilidade traz mais impacto, porque temos uma estrutura mais visível e assim chegamos a mais gente”, partilha o Professor Clemente, Sub-Diretor Pedagógico do EC. Enquanto que para o Chiquito, Coordenador Pedagógico do EC, “agora já vamos ter três salas e já vai dar para separar as crianças por vários grupos. Para além de que vamos ter condições para guardar os nossos materiais pedagógicos que assim vão durar mais tempo. E esperemos que neste novo espaço haja menos calor!”

Obra Espaco Crianca 2018Obra Espaço Criança

Uma obra a custo zero
Tudo parece ser muito fácil. É um espaço que vai ser bastante maior que o atual, mas a obra não é nenhum “bicho de sete cabeças”. Então porque é que demora tanto? Falta de financiamentos. É que esta é uma obra que está completamente dependente da boa vontade das pessoas e das empresas: “O que tem sido mais difícil? Juntar as pessoas para vir ajudar e conseguir os materiais necessários para a obra. Quando os materiais se atrasam ou faltam pessoas, a obra pára.” – desabafa Salu, o mestre de obra que se tem dedicado voluntariamente à obra faça chuva ou faça sol. Já para Chiquito, isto acontece porque é difícil trabalhar sem remuneração: “A maior parte dos jovens que podem ajudar, estão à procura do primeiro emprego e quando são contactados estão sempre a pensar na remuneração.”

A pior parte já passou
Há quem diga que o mais difícil é começar. E, neste caso, até começar demorou muito. Mas depois de conseguidas as licenças e as papeladas, a obra já vai bem avançada. “Até hoje, já alisámos o terreno e já fizemos as sapatas de fundação. Entretanto já se encheu com betão as cintas no pavimento e a brita já está espalhada por todo o chão. Agora estamos na fase do levantamento das paredes e já vamos quase a 50%”, conta-nos o entusiasmado Salu.

Obra Espaco Crianca Janeiro
Obra Espaço Criança

Um por todos e todos por um
E para todo este progresso, é necessária uma equipa que se tem unido muito à volta desta obra e que se tem revezado, tanto quanto pode, no apoio aos trabalhos – os tais “Três Mosqueteiros”.
Em cada dia de trabalho cada um tem o seu papel muito específico. “Ajudo nas compras para o funge e para a kissangua*. Também vou às reuniões de Direção do Espaço Criança onde discutimos sempre os problemas da obra.” – diz-nos a Teresa. “Eu reúno com a Direção e é lá que dividimos os serviços. A mim calha-me vir à obra ver as necessidades de material, fazer com que não falte nada aos mestres e fazer a ligação entre eles e a Direção.” – partilha o Prof. Clemente. Enquanto o Sr. Vicente: “Todos os dias de manhã vou buscar o pão para os mestres e ao fim da tarde passo sempre na obra para ver o que se fez nesse dia e para tirar as crianças que andam a brincar no meio da obra.”

Sr Vicente e Chiquitito
Sr. Vicente e Chiquito

Com muito suor e motivação, o grande dia vai chegar!
“O que me motiva a vir aqui todos os dias, é saber o que as crianças aqui vivem. Eles na comunidade brincam mal, correm perigos quando andam por aí e não têm sítio para ficar. O objetivo do Espaço Criança é terminar com isso e isso motiva-me muito.” – confessa-nos o Salu. Como verdadeiro D’Artagnan, a olhar para a obra como se ela também já fosse um bocadinho sua diz: “O que mais me orgulha é quando a obra começa a andar e quando olho para este espaço e vejo o que juntos já fizemos.”

3 Mosqueteiros
Professor Clemente, Mamã Teresa e Salu

 Missão Benguela, 2018

*Funge é um acompanhamento culinário típico de Angola, confecionado com farinha de milho ou de mandioca, e que é a base da alimentação de muitas famílias locais. Enquanto a Kissangua é uma bebida tradicional do sul de Angola e a sua forma original é feita na base de água e farinha de milho.