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Da Graça ao Balombo são dois passos de Distância

Convido-vos a situarem-se no dia 8 de Março com já seis horas de avanço e a Vitório e eu no carro a caminho da Graça para apanhar as restantes para a viagem até ao Balombo. O entusiasmo era grande não só porque uma viagem por si só já traz entusiasmo mas também porque era o Nosso dia, o dia da Lyukay (mulher em umbundo).

A viagem era para cumprir com o convite para participar numa festa em nome da mulher, organizada pela Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher no Município do Balombo. Partimos por isso cedo da Graça, com máquina e materiais às costas com 3 horas de estrada esburacada à nossa espera.
Talvez tenha sido pelo peso da mercadoria ou por sermos peritas a chegar tarde a eventos importantes, não honrámos com o horário de chegada mas, uma vez em Angola, a festa nunca começa a horas e na verdade nunca acaba.

Atrasadas, levaram-nos para o centro das atenções de todos naquele município. Tentem imaginar milhares de mulheres num recinto de futebol, com música a glorificar a mulher, com dança a homenagear o corpo da mulher, com testemunhos de mulheres importantes, onde tudo transpirava progesterona. Agora tentem imaginar a Bela, a mãe Jovita, a Vitória e a Ilda com o seu olhar de pertença, com o seu olhar de se sentirem importantes ali, com um olhar de orgulho. Acho que dá para imaginar que o que me prendeu não foi aquela festa toda mas sim estas 4 mulheres de bairro que ali eram a mudança na mulher, ali eram o Epongoloko Lyukãy.

A seguir à festa, iria ocorrer uma feira para “mimar” todas aquelas mulheres que se sentiam livres neste dia especial. Corremos para montar tudo e deixar o isco bem montado para todas aquelas senhoras que se queriam apaparicar. Na festa todas fomos rainhas mas na feira foi o Epongoloko que triunfou.

Banca da Venda e Maquina de Costura

“Teresa, ainda bem que viemos. As pessoas gostam muito e é bom sentir que fazemos o que gostam. Faz-me sentir bem” – dizia-me a Vitória enquanto costurava mais 5 toucas encomendadas há 5 minutos atrás.

No meio da confusão a atenção era para nós. Todas foram peças importantes para dominar este público: a Bela revelou-se uma feirante exímia, a Mãe Jovita e a Vitória eram umas máquinas na máquina de costura e a Ilda era a melhor designer da nossa montra, deixando tudo organizado e chamativo.

No final a mãe Jovita perguntou: “ E a Teresa o que achou de nós? Estivemos bem?”

Estivemos muito bem. Representamos o Bairro da Graça e as mulheres empreendedoras que nele vivem. Fomos mulheres entre mulheres, mas mostramos a mudança que pode haver em nós.

A implementação deste projeto é possível também graças ao apoio da 4ª edição do PACT Fund da Deloitte.