Testemunhos

As minhas "Mulherzinhas"

Surge linda, qual personagem das histórias de além-mar. Senhorinha de vestido delicado, trança em arco no cabelo, porte miúdo em jeitos de garota, força de gigante num vulgo tão doce. Eis Gabi, outra vez linda. Vive em Ponta Baleia, na roça de Porto Alegre. Faz parte do Grupo de Mulheres, do grupo de produção de farinha de mandioca e do grupo de fabrico de sabão artesana1. Trabalha na capina da estrada, é agricultora em terreno próprio, cuidadora de casa, dos seus 5 filhos, esposa.

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Lavar a roupa

Se tivesses que escrever uma carta a uma comunidade, como São Paulo, o que lhes dirias? – esta foi a proposta final de uma Oração Comunitária. Longe de ser como São Paulo, aqui partilho uma das carta que escreveria às comunidades com quem agora vivo.

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De dias comuns se faz a Missão

É mais fácil partilhar acontecimentos extraordinárias de missão como os dias de festa, as visitas, as experiências diferentes que vivemos, mas a missão faz-se maioritariamente de dias “normais” que preenchem e que dão sentido ao nosso trabalho e à nossa vida. Os dias extraordinários dão cor e beleza, mas são os dias comuns que delineiam os contornos da nossa vida, dando-lhe forma e solidez.

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Vida em Comunidade

“Comprometa-se cada Leigo (…) com a sua comunidade como ela é, determinando-se a investir prioritariamente na construção, mesmo que lenta e difícil a princípio, de relações (…), que se constituirão como o apoio primeiro de todos os momentos de missão.”
(em Vida em Missão - VEM)

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A Formação é um caminho: começamos num ponto e chegamos a outro

Os LD (Leigos para o Desenvolvimento) atravessaram-se no meu caminho de forma um bocadinho inesperada. Nunca foi uma coisa que já tivesse pensado ou ambicionado antes. Ouvi falar, interessei-me pela proposta, e resolvi tentar este caminho, para perceber se é por aqui que Deus me chama.
Foi na procura de soluções e caminhos para a minha vida (fim de curso, etc.) que os Leigos surgiram, e a proposta da formação aliciou-me logo que me foi apresentada.

A formação está dividida em várias etapas e ocorre em reuniões quinzenais. Entre Doutrina Social da Igreja, autoconhecimento, aprofundamento de ideias sobre conceitos (missão, desenvolvimento, voluntariado, etc.), testemunhos, jogos e orações, estas reuniões são sempre muito dinâmicas e interessa n ntes, graças à incrível equipa de formadores. Os temas e as reflexões interpelam-nos e provocam-nos, saímos com dúvidas e com vontade esclarecê-las. No fim de cada etapa há um Encontro Temático (ET), onde são expostos e aprofundados os temas abordados nessa etapa.

Agora fazemos parte dos LD, leigos missionários para o Desenvolvimento, e por isso precisamos de saber o que isto significa: perceber o que é a missão concretamente, o que é o desenvolvimento, e como é que os leigos devem actuar no contexto para onde vão, tendo em conta as diferenças culturais. Foi isto que aconteceu no primeiro ET, que tinha o título “Missão e Desenvolvimento”.

Falaram-nos várias pessoas sobre estes temas. Entre as muitas coisas que ouvi, ganhei a noção de que somos missionários enviados por Deus, que Deus nos chama sempre para terrenos desconhecidos, onde não temos pé, porque “para crescer, precisamos de roupas largas, mesmo que estas não sejam confortáveis”, e que só tenho de prestar contas a Deus, Ele é que é o meu “patrão”, que garante os resultados, porque os frutos da missão não se medem em indicadores.

Tivemos um testemunho sobre interculturalidade, cheio de histórias e fotografias, em que ficámos a conhecer melhor os costumes e a cultura africana.

Alguns missionários recém-chegados falaram-nos das suas expectativas antes de partir, da realidade do trabalho em missão e da vida e oração em comunidade.

Depois deste ET, nas reuniões passamos de um “boa noite” envergonhado para uma chegada cheia de abraços e histórias para contar. Este encontro fez-me perceber que a Missão é um projecto exigente e profissional e ganhar consciência de que a missão não é só quando se está em África, começa aqui e agora.

No lugar certo, no tempo certo

Apesar de a terra vermelha ter acabado por desaparecer das solas dos meus pés, Cuamba e o seu povo nunca me saíram do coração e nunca estiveram longe dos meus pensamentos. O mês de Dezembro foi tempo de cumprir o período de férias em Portugal que marca a transição para o segundo ano de missão.

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