Testemunhos

Operação futuro risonho

Seis da manhã. Passo por grupos de crianças de mochila, dou e recebo os bons dias - “Bom dia, Cátárrina!”- e sigo, em passo apressado, de volta a casa após uma caminhada matinal, por entre o verde da vegetação, o azul do céu e do mar e ao som da melodia de diversos passarinhos coloridos. Se à ida caminhei sozinha, à volta não me falta companhia.

Estas crianças de Ponta Baleia, comunidade mais pobre e isolada da Roça de Porto Alegre, rapidamente apanharam o meu ritmo de “caminhar forte”, como dizem aqui, e já estão de novo bem pertinho de mim, como um pequeno batalhão bem disposto, onde brilham sorrisos, abanam tranças com elásticos coloridos e se soltam risadas pelo esforço que alguns mais pequenos têm de fazer para manter o ritmo. Assim entramos triunfantes em Vila Malanza, fim de percurso para mim e meio percurso para elas.

Diariamente, estas crianças caminham uma hora para chegarem à escola, em Porto Alegre e, no regresso, mais uma. Felizmente, a maioria das crianças da Roça já frequenta a escola básica, que conta com uma equipa de 8 jovens professores apoiados por dois excelentes pedagogos - o Diretor Vicente e o do Coordenador pedagógico Avelino. Esta equipa dedicada esforça-se por dar um bom ensino a cerca de 300 crianças. Da 1ª à 4ª classe agrupam-se em turmas grandes, cujo número de alunos torna difícil um acompanhamento mais personalizado das dificuldades de cada um. Em suas casas, raramente têm um ambiente propício para estudar ou quem as possa ajudar e encorajar a ultrapassar pequenas dificuldades de aprendizagem que, se não forem interceptadas a tempo, serão cada vez maiores.

A escola identificou a necessidade de encontrar estratégias de combate ao insucesso escolar dos seus alunos e em parceria com os Leigos para o Desenvolvimento, foi criado, neste ano lectivo, um Projeto de Apoio Escolar (PAE). A adesão foi muito superior à esperada e bem valorizada pelos pais. As crianças inscritas têm, assim, a oportunidade de participarem duas vezes por semana nas sessões de PAEs, em que os monitores lhes proporcionam actividades lúdico-educativas, hora e meia na sala de aula e meia hora ao ar livre.

Projeto Apoio Escolar Sala Aula

Projeto Apoio Escolar Ar Livre

Os resultados positivos já se fazem sentir e é um privilégio ir acompanhando este processo de perto, coordenando e promovendo a capacitação desta equipa de monitores que tanto tem ajudado a construir um futuro mais risonho para as crianças da Roça de Porto Alegre.

Catarina Veiga
São Tomé e Príncipe, 2016-2017