Testemunhos

O trabalho que não se vê

Quando utilizamos um telefone, um telemóvel ou computador algo incrível pode acontecer. Marcar uma reunião, saber uma novidade, obter uma resposta que precisamos, escrever uma mensagem de correio eletrónico, um relatório, testemunhos, entre outros. Estas ferramentas tornaram-se quase indispensáveis, e tanto nos podem ajudar, fazem parte do nosso dia-a-dia. Antes, durante e depois de se realizar uma atividade, uma reunião, um projeto, entre outros, existe todo o trabalho de “escritório” que tem de acontecer, literalmente sentados em frente a um computador ausentamo-nos do terreno, dos nossos locais físicos de trabalho/missão, muitas vezes não identificado ou compreendido pelas comunidades com quem trabalhamos, que gostavam de nos ter sempre perto, e nós também!

Este trabalho que consome algum tempo permite analisar de forma objetiva todos os pontos de cada ação, tornando possível a sua avaliação. Sim, nós analisamos continuamente as nossas ações para que sejam produtivas para o fim que queremos alcançar, neste caso projetos sustentáveis com envolvimento das pessoas da comunidade para um presente e futuro mais preocupado pelo bem comum.

Parece fácil, sentar num computador e trabalhar, mas muitas vezes somos assombrados pela falta de energia ou qualquer outro problema técnico, fazendo com que tenhamos de encontrar um local e muitas vezes equipamento para trabalhar. Entre peripécias tudo se faz, não no nosso tempo, mas no tempo de São Tomé.

Para além de partilhar este trabalho que não se vê, evidencio o visível esforço de alguns jovens do Bairro da Boa Morte para organizarem o curso de férias para as crianças do bairro, em colaboração com duas professoras da escola básica de Boa Morte. As tarefas foram divididas e definidos os temas para os workshops, desde dança, teatro, culinária, pintura, entre outros. Realizou-se um workshop de capacitação para os jovens com o artista plástico Eduardo Fernandes Malé, que de forma simples e coesa foi passando a magia da pintura e desenho a estes jovens, para que depois eles as possam passar às crianças.

Preparacao Curso de Ferias

Assim, dia 1 de agosto arrancou este curso, cada vez mais independente do nosso apoio, cada vez mais sustentável. Agora é preciso definir o futuro deste projeto, quem agarrará as rédeas e responsabilidades para que todos os anos continue a acontecer? Quem fará o trabalho que não se vê?

Um pouco como o trabalho que não se vê também a fé não se vê, é algo que à partida não se pode mostrar, como se faz com um relatório ou qualquer outro papel, é visível através do nosso testemunho, ações, forma de estar e agir, estes podem evidenciar a fé que nos enche o coração e nos move, e me move a partilhar e viver esta experiência como voluntária missionária enviada pelos Leigos para o Desenvolvimento. É esta fé que me ajuda a ter esperança e alegria para enfrentar todos os desafios que nos são entregues, só assim é possível viver e crescer!

Joana Antunes
São Tomé e Príncipe, 2016-2017