Testemunhos

Recomeçar, Agrupar, Analisar, Espalhar

Uma vez por ano, os gestores de projeto das missões dos Leigos para o Desenvolvimento visitam o terreno. É um tempo muito rico para todos, no qual os gestores de projeto estão nas comunidades locais, nos projetos e connosco, as comunidades LD.

Neste caso, são duas as gestoras de projeto: a Rita Marques e a Luísa Trindade. A Luísa encontra-se em Angola para fazer, além do que referi, diagnóstico para novos projetos. A Rita Marques está connosco, em São Tomé e Príncipe.

Passaram já dois meses e uma semana desde que regressei a São Tomé para mais um ano de missão! Vejo este tempo de visita da Rita como uma boa fase para “agrupar”, “analisar” e, depois, “espalhar”! Como se fossemos uma equipa de qualquer desporto coletivo, que define toda a estratégia para o que aí vem; neste caso, tanto a nível individual como em comunidade, estruturamos e ajustamos juntos o que é necessário para os projetos. No fundo, é um tempo de avaliação e reajuste dos projetos e do nosso trabalho de forma geral. É um tempo de grande crescimento e de muitas graças, principalmente porque este olhar externo nos ajuda tanto quanto a crescer e melhorar a nossa forma de ser LD em comunidade, de trabalhar e viver a missão como um todo!

Visita Gestora Projeto

Eu não tenho a pretensão de querer mudar o mundo, mas como diz uma canção “eu não posso complicar…. vou tentar mudar o mundo e é aqui que vou começar”! Sim! Começar, recomeçar, afastar-me do repetido e do cómodo, abraçar o que é, para poder ser de novo, cada vez mais confiante a cada manhã, sabendo que se pode sempre recomeçar, fazendo diferente no mesmo sitio, na mesma ou com novas comunidades! Está em nós, porque Ele está em nós e faz-nos e nos enlaça e desata! Então, no fundo, recomeçar é trilho, agrupar é caminho, analisar é sábio e espalhar é o que Ele nos pede a cada dia!

Para já, eu estou a “espalhar” aqui em São Tomé com a minha comunidade: a Constança, o Filipe, a Joana, a Madalena, a Marisa e a Pia, não esquecendo a família e amigos que trago no coração.

Caminho com o projeto do CRE (Centro de Recursos Educativos) da Escola Básica de Boa Morte, que já acompanhava no ano anterior, no qual o principal foco para este ano será o reforço da capacitação institucional, nomeadamente pela responsabilização da equipa de gestão - constituída por alguns professores e que conta com o apoio de alguns jovens para a organização das principais atividades -, de forma a entregar o projeto à escola no final do ano letivo. Não me alongarei na explicação pois, a fotografia fala por si, trabalharei para que este ano com a equipa se trace um plano de atividades que os leve a criar mais momentos como este!

CRE Boa Morte

Fiquei, entre outros, também responsável pela implementação de um projeto piloto no contexto das indústrias culturais que incluirá um processo de capacitação do Grupo de Tragédia Formiguinha de Boa Morte e promoção do Tchiloli* a nível nacional, um projeto a implementar em parceria com o Teatro Viriato e que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Com encontros semanais, preparamo-nos para receber o Teatro Viriato este dezembro. Este grupo é um dos nove grupos ainda ativos, com cerca de 25 membros todos diferentes, desde idades, maneiras de ser, etc., mas um gosto comum o Tchiloli.

Joana Antunes
São Tomé e Príncipe, 2017-2018

 

* Tchiloli é uma manifestação cultural que se traduz numa representação dramática que tem por base um texto de origem medieval - A tragédia do Imperador Carlos Magno e do Marquês de Mântua.