Testemunhos

Vida em Comunidade

“Comprometa-se cada Leigo (…) com a sua comunidade como ela é, determinando-se a investir prioritariamente na construção, mesmo que lenta e difícil a princípio, de relações (…), que se constituirão como o apoio primeiro de todos os momentos de missão.”
(em Vida em Missão - VEM)

Estas palavras são para mim um resumo fiel da exigência da “Vida em Comunidade” de um Missionário dos Leigos para o Desenvolvimento (LD). De facto, esta forma de vida é uma das imagens de marca desta ONGD, mas também é, sem dúvida, dos maiores desafios que estes quase 5 meses me têm exigido. Quem também parece estar bem consciente desta exigência são a minha família e amigos, que sempre que falam comigo perguntam: “Então e a comunidade? Difícil, não? Já tiveste muitos problemas?”

Quem vem em Missão com os LD deve saber que não vem sozinho. E que a sua Missão é uma Missão partilhada, que é vivida sempre com a sua Comunidade. Umas correm melhores que outras… Mas eu tenho a sorte de poder dizer que até agora as coisas têm corrido bem. Sinto-me em casa quando chego a esta que é a minha nova casa. E já tinha uma, mas Deus deu-me três novas irmãs. As 3 muito diferentes de mim… Mas, cada uma delas importante para a minha Missão estar a ser como é.

Perguntam-me se não está a ser exigente? Claro que é exigente. Já morei com muita gente diferente em várias casas diferentes. E nunca me foi pedido um desafio tão exigente como este. Aqui vivemos, trabalhamos, rezamos, passeamos… fazemos quase tudo juntos. Costumo brincar, que é quase como se fosse um “Big Brother”. E, por isso, sim… é preciso dar atenção e colocarmo-nos no lugar do outro e até, como diz no Vida em Missão, saber que muitas vezes temos de saber calar a nossa opinião porque não podemos ter sempre razão. É preciso jogar às cartas, jogar um jogo de tabuleiro ou ver um filme, em vez de nos fecharmos no quarto ou sair de casa sempre que se tem oportunidade. É preciso irmos à praia, ir ver a bola e beber um copo juntos. É preciso saber conversar e saber ouvir. É preciso passar horas em reuniões comunitárias, a decidir quem fica com o carro ou quem pede à Mana Ju para limpar os quartos. É preciso haver tempo e dar tempo a cada um de nós. É preciso respeitar a opinião e o espaço de cada um. E é preciso parar para rezar e dar espaço a Deus para nos fazer ver qual a melhor atitude a tomar em cada momento desta vida em comunidade.

Ainda faltam muitos meses… E nada me diz que vai ser sempre assim. Mas agradeço a Deus todos os dias por me ter colocado nesta Missão, com estas pessoas e exatamente da forma que está a ser. Sei que o nosso fim último são os projetos e as pessoas do Bairro da Graça. Mas agora sei que nada conseguiria fazer fora de casa, se dentro dela não me sentisse bem, não pudesse descansar e recuperar forças. Se tivesse sido eu a escolher, com certeza que não teria sido esta a minha Comunidade. Mas se hoje me fosse pedido que escolhesse, estou certo que escolheria a Rita, a Teresa e a Marta para serem as minhas irmãs de Missão.

Comunidade LD Benguela 2017 2018

Gonçalo Vaz Pedro
Benguela, 2017-2018