Testemunhos

Testemunho LD por não LD

Passaram 7 meses desde que cheguei a Benguela. Olhando para trás, além da alucinante velocidade a que o tempo está a passar, dou graças por tudo. Por Benguela, pelas pessoas, pelo bairro da Graça, pela minha comunidade. Pelas dúvidas e hesitações, pelos desafios e dificuldades. Pelo GAIVA (Gabinete de Apoio à Inserção na Vida Ativa), projeto que acompanho, que me desafia diariamente, que me retira da minha zona de conforto e que me dá a oportunidade de me alegrar com a força de vontade, resiliência e persistência de muitos jovens que tenho tido a graça de conhecer.

Mas hoje escrevo sobre outra das graças que me foram dadas. Ao longo deste ano, tenho trabalhado também no diagnóstico de necessidades noutros locais de Benguela e Angola. Tive então a oportunidade de este mês viajar até ao Uíge no âmbito deste trabalho. Tendo no passado os Leigos para o Desenvolvimento uma missão nesta província e precisamente no bairro que eu ia visitar, estava mais ou menos preparada para que as pessoas conhecessem a organização e talvez guardassem alguma tristeza pela entrega dos projetos no ano de 2014. No entanto, descobri algo que me surpreendeu: o testemunho LD, dado por pessoas que não são LD.

“Nos diversos locais de missão, é de grande importância o testemunho que se dá, individual e comunitariamente, de valores humanos e cristãos, de modo de estar e estilo de vida, de presença e de relações humanas, e de coerência entre o que se diz e o que se pratica. Na missão dum leigo, os maiores frutos são deixados, quase sempre, mais pelo ser e o estar do que pelo fazer.” (excerto retirado do Manual "Vida em Missão" dos Leigos para o Desenvolvimento)

Nunca tinha pensado nesta vertente que o testemunho LD poderia ter. Muito falamos sobre ele e sobre a sua importância mas de facto nunca pensei que ele podia ser dado por outras pessoas que não os próprios voluntários da organização. O que se sente mal se entra na Creche, no Centro da Imaculada Conceição no Bairro do Papelão é um clima de entreajuda, de alegria, acolhimento e amor no trabalho. A disponibilidade do Pedro e a sua alegria ao nos mostrar o bairro e dar a conhecer as pessoas. O “à vontade” tão natural que em pouco tempo se criou com os padres passionistas. Em tudo isto há uma marca que me é muito familiar, a marca LD.

Centro Imaculada Conceicao Bairro do Papelao Uige
Isabel, Catarina, Pedro, Rita e Marta
no Centro Imaculada Conceição, no Bairro do Papelão, no Uíge

Num ano em que os Leigos para o Desenvolvimento vão entregar os projetos do bairro da Graça à comunidade, em que se vão tendo dúvidas em relação ao futuro, foi muito importante este testemunho. Foi muito importante poder testemunhar o futuro de um projeto LD, de uma comunidade onde foi deixada uma semente, regada e em que os frutos são tão visíveis.

Rezo, espero e no fundo sei que no futuro, quando alguém visitar a Graça vai também poder receber este testemunho.

Marta Horta
Benguela, 2017-2018